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A reação de Aécio

Tucano inicia sua tentativa de recompor sua força política em Minas Gerais para as eleições de 2018

Crédito Foto: Agência Reuters
 

Pouco depois de ter entregue a presidência nacional do PSDB ao governador de São Paulo, Geraldo Alckimin, o senador Aécio Neves (PSDB) iniciou sua tentativa de recompor sua força política em Minas Gerais para as eleições de 2018. “Minha prioridade é responder de forma serena, mas muito firme, a todas essas denúncias que envolveram meu nome”, disse Aécio, em uma das três emblemáticas entrevistas do senador mineiro, veiculadas na grande imprensa nos últimos três dias.

Primeiramente, foi ao ar sua entrevista dada a jornalista Mônica Miranda, da Rádio Itatiaia, na última quinta-feira (15); na sexta-feira (16), outra extensa entrevista para o jornal Estado de São Paulo foi publicada, e, na última segunda-feira (18), foi a vez do jornal Estado de Minas publicar sua entrevista com o senador.

As entrevistas são parte do esforço do senador de contar a opinião pública e ao eleitorado mineiro sua versão dos escândalos em que esteve envolvido durante o ano de 2017. O mais nocivo a sua imagem pública foi a gravação feita pelo empresário Joesley Batista, em que Aécio acerta o pagamento de R$ 2 milhões.

Sobre esse episódio, Aécio reitera, nas três entrevistas, ter sido vítima de uma “grande armadilha”. A gravação foi feita parte de um acordo de delação premiada entre Joesley Batista e a Procuradoria-geral da República. Após a gravação vieram a público, em maio desse ano, os áudios em que Aécio combina com o dono da JBS o pagamento de R$ 2 milhões, segundo o senador, para pagar seus advogados de defesa.

Aécio explica como foi orquestrado o que classificou de armadilha. “Na verdade, e uma gravação que havia sido omitida por ele mostra isso, minha irmã ofereceu a Joesley um apartamento que já havia sido oferecido a quatro ou cinco empresários. Com o objetivo de obter sua delação, ele disse ‘não tenho interesse, mas empresto o dinheiro, quando venderem o apartamento você me paga’.

O senador destacou que por isso Joesley quis que o empréstimo fosse em dinheiro. “Ele disse na gravação, ‘tem dinheiro das minhas lojas e eu vou te emprestar’, dinheiro privado. Obviamente, por que insistiu que fosse daquela forma? Para criar a imagem, fazer a fotografia e vender isso para a Procuradoria como estímulo aos benefícios que eles tiveram”, explicou Aécio em sua entrevista para o Estado de Minas, que prosseguiu fazendo mea culpa: “Foi um erro aceitar. Foi a forma como ele propôs que eu pagasse os advogados. Agora, onde está o crime? Foi uma armação com conhecimento de membros do MP para que conseguissem sua delação”.

Aécio também falou sobre seu futuro político. Negou, como ventilado a alguns meses, a possibilidade de concorrer a uma vaga de deputado federal. “Essa possibilidade não existe”, enfatizou. Disputar uma reeleição para o Senado, segundo ele, é o “caminho natural”.

Aécio também deixou claro que participará da eleição do próximo governador.

Questionado sobre uma possível “desestruturação” do grupo político que deu sustentação ao PSDB durante os 12 anos que esteve à frente do governo do Estado, Aécio classificou como “natural” o surgimento de novas lideranças. “Era uma utopia achar que indefinidamente esse grupo se construiria em torno de uma figura”.

Para ele “os interesses de Minas e a derrocada do governo do PT” podem recompor o grupo.

A recomposição do grupo, aponta Aécio, pode se dar por intermédio de uma candidatura que não necessariamente seja do PSDB. “Vamos fazer uma série de reuniões, já temos um encontro pré-agendado para os primeiros dias de fevereiro com o Anastasia, o ex-deputado Dinis Pinheiro (PP) e o Rodrigo Pacheco (PMDB) para tratar da construção desse processo de decisão transparente e harmonioso. Acima das postulações individuais, por mais legítimas que sejam, está nossa responsabilidade de encerrar esse ciclo do governo do PT”.

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