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Marcus Pestana articula candidatura fora do “ninho”

Na avaliação de Pestana, “é necessário puxar um nome sem vínculo com o PSDB para consolidar uma oposição ao governador Fernando Pimentel”.

Crédito Foto: Renato Cobucci / Secom-MG
 

O deputado federal Marcus Pestana (PSDB) é um dos mais experientes e respeitados atores da política mineira. Assim, é um dos atores políticos cujos movimentos convêm acompanhar e refletir. Na última segunda-feira (5), uma publicação no site da revista Carta Capital não só destacou o que Pestana vê para as próximas eleições, como aprofundou ainda mais o racha do PSDB em Minas.

Na avaliação de Pestana, “é necessário puxar um nome sem vínculo com o PSDB para consolidar uma oposição ao governador Fernando Pimentel”.

A posição de Marcus Pestana, que é tido hoje como o principal articulador do apoio dos tucanos a uma candidatura de “fora do ninho”, não é nova. Desde o ano passado Pestana defende o entendimento de que o PSDB deveria admitir a possibilidade de não lançar candidatura própria ao governo de Minas. Na avaliação do deputado, que foi presidente estadual do PSDB Minas (2011-2015) e ocupa a secretária-geral do PSDB nacional, ideal seria um palanque que reunisse as principais lideranças e partidos situados ao centro, como o ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Diniz Pinheiro (PP), o deputado federal Rodrigo Pacheco (MDB) e o ex-secretário de Fazenda do governo Anastasia, Fuad Noman. “PSDB nunca foi exclusivista, tem os parceiros”, disse Pestana em entrevista ao jornal Estado de Minas, em novembro do ano passado.

De todas as lideranças citadas por Pestana, é a Diniz Pinheiro que ele é mais próximo. Pestana é um dos principais articuladores da indicação de Diniz Pinheiro como candidato ao governo do Estado. A ideia é que Diniz tanto poderia retornar ao PSDB, como ter o apoio dos tucanos a sua candidatura.

Essa construção, entretanto, esbarrou nas articulações do senador Aécio Neves. Não tendo convencido o também senador Antônio Anastasia a disputar o governo do estado, Aécio articula a candidatura do deputado federal Rodrigo Pacheco, atualmente no MDB, mas que estaria de mudança para o DEM. Embora Pacheco seja uma liderança em ascensão, que preside a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, ainda trata-se um estreante. Com apenas três anos na política, Pacheco é desconhecido por boa parte do eleitorado mineiro.

A aposta de Aécio em Pacheco divide o PSDB. Os tucanos ainda ressentem a perda do governo do estado para o petista Fernando Pimentel. À época, Aécio escolheu e bancou o nome do ex-ministro Pimenta da Veiga. O próprio Marcus Pestana disputou com Pimenta a indicação do partido como candidato ao governo do estado. Ele chegou a reunir prefeitos e vereadores de 200 cidades que apoiavam sua candidatura. O ato não surtiu efeito. Pimenta da Veiga foi confirmado candidato do PSDB, mas foi derrotado no primeiro turno.

A fadiga eleitoral do PSDB em Minas também pesa. Quando o candidato tucano à Prefeitura de Belo Horizonte, João Leite, perdeu a eleição para um ex-cartola do Clube Atlético Mineiro, Alexandre Kalil – um outsider político que não tinha nem 30 segundos de propaganda eleitoral – a situação ficou ainda mais insustentável.

Escolhas erradas? Não só. Depois de ter governado o estado por oito anos (2003-2010), elegido Anastasia seu sucessor, o próprio Aécio perdeu, em Minas, na corrida presidencial de 2014.

“Nada é tão ruim que não possa piorar”, ensina a lei de Murphy. Em maio do ano passado, Aécio foi gravado pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley, segundo ele, para pagar sua defesa na Operação Lava Jato. Toda a operação foi acompanhada pela Polícia Federal. O dinheiro, que estava sendo monitorado, foi parar em uma empresa do senador Zezé Perrela. Pouco tempo depois, a irmã de Aécio, a jornalista Andrea Neves, e um primo do senador, foram presos. Aécio foi afastado do Senado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) e passou a ser alvo de críticas dentro do próprio partido, ao qual presidia.

Talvez a pior fase do senador já tenha passado. Aécio voltou ao Senado, Andrea foi solta e ele manteve o comando do PSDB em Minas. Marcus Pestana lamentou a perda do capital político do senador. “Aécio tinha uma liderança exuberante na capital e no estado inteiro”, registra a matéria da Carta Capital.

Talvez Pestana consiga aglutinar parte do centro político de Minas no enfrentamento à Fernando Pimentel. Há tempos os principais analistas políticos noticiam que Diniz Pinheiro e Márcio Lacerda estavam na iminência de se tornarem “novos aliados”.  Quem encabeçará a chapa, sairá como vice, ou concorrerá ao Senado, é acerto para depois. Certo é que o anúncio impactará na construção das demais candidaturas, com tendências de ampliação do campo pela boa perspectiva que a aproximação de Lacerda e Diniz apresenta no tabuleiro eleitoral.

Até a confirmação, tudo é suspense. Inclusive o futuro de Marcus Pestana. Como ficará?

 

 

 

 

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