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Lambança da Bancada do PT gera crise para a oposição

Nota do MDB, retirando o apoio da bancada à CPI, reforça tese de confusão no requerimento.

 

Parlamentares de oposição estão furiosos com o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), líder do PT na Câmara do Deputados. Eles o acusam de ter feito enorme confusão na criação da CPI das Delações Premiadas. Segundo alguns parlamentares, ao pedir o apoio à instauração da CPI, ele não teria explicado ao certo do que se tratava. Alguns chegaram a dizer, sem provas concretas, que até o texto da justificativa teria sido alterado.

Nota emitida pelo MDB, retirando o apoio da bancada a instalação da CPI, reforça a tese de confusão no requerimento. “A redação do requerimento ficou genérica – sem fato determinado – o que acabou gerando dúvidas sobre o caso”, registrou a nota. O acordo com o MDB tinha sido costurado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a fim de garantir o funcionamento da CPI.

Nos bastidores, líderes de partidos da oposição também reclamaram da redação do texto do requerimento. “O PT foi com muita sede ao pote. Faz estardalhaço e enfrentamentos burros que só têm prejudicado à própria legenda. Agora, levar os demais partidos a esse enrolo é um absurdo”.

Diante da repercussão negativa da instalação da CPI, parlamentares começaram protocolar a retirada das suas assinaturas do requerimento solicitando a criação da comissão. O regulamento interno da Câmara dos Deputados, entretanto, impede a retirada de assinaturas após ter sido protocolado o pedido.

Na tribuna da Câmara, Paulo Pimenta chamou de covardes os deputados que solicitaram a retirada das assinaturas. O deputado Jerônimo Goergen, do PP do Rio Grande do Sul, reagiu: “Covarde é quem apoia ladrão de dinheiro público. Nós vamos derrubar teu plano de proteger a corrupção”.

O deputado Júlio Delgado articulou o recolhimento de assinaturas entre os deputados que assinaram a abertura da CPI, dessa vez, em, um requerimento pedindo o encerramento da sua tramitação.

Para abertura da CPI, foram conseguidas 190 assinaturas. Ainda segundo o regulamento da Casa, para que a CPI pare de tramitar, seriam necessárias assinaturas de pelo menos metade mais um do total inicialmente subscrito. Ou seja: 96 rubricas.

A proposta da CPI surgiu após as denúncias feitas pelos doleiros Cláudio Souza, o “Tony” e Vinícius Claret, o “Juca Bala”, presos na Operação “Câmbio, desligo” da Polícia Federal. Ele são acusados de integrar o esquema comandado pelo “doleiro dos doleiros” Dario Messer, dado como foragido da justiça.

Em delação ao Ministério Público Federal, Cláudio e Vinícius disseram que, entre os anos de 2006 e 2013, pagaram mensalmente uma “taxa de proteção” de US$ 50 mil (cerca de R$ 186 mil ao câmbio atual), ao advogado curitibano Antônio Figueiredo Basto, e a uma segunda pessoa cujo nome não foi informado.

O advogado Antônio Figueiredo Bastos foi o responsável por negociar o acordo de delação de Lúcio Funaro, Renato Duque, Ricardo Pessoa, entre outros. Ainda segundo os delatores, Enrico Vieira Machado, ex-sócio de Dario Messer, prometia segurança em relação ao “Ministério Público” e à “Polícia Federal”.

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