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Kalil não é Dória. Ainda bem…

Kalil se reafirma como a grande novidade da política nacional

Crédito Foto: Amira Hissa | PBH
 

E confirmou-se aquilo que até mesmo o olhar menos experiente sabia que seria: a promessa de anúncio da pré-candidatura do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, ao governo do Estado, feita na sexta-feira pelo presidente do PHS, Marcelo Aro, foi uma jogada para dar mais visibilidade à cerimônia de posse da executiva estadual da legenda e, de quebra, dar uma injeção de novo ânimo na militância da legenda.

Eleito justamente por se apresentar como um “não político”, uma candidatura de Kalil ao governo de Minas Gerais, sem a conclusão da primeira grande missão confiada a ele pelo eleitorado, resultaria na decepção de terem eleito um “novo”, que, na primeira oportunidade, replicou tudo que de mais velho e execrável existe na política: ambições desmedidas.

Foi à solenidade de posse da nova executiva do seu partido e vestiu parte do figurino anunciado para o evento. Denunciou o abandono de Minas e criticou a permanência de velhas práticas políticas. “Nos aproximamos de um novo pleito e, por incrível que pareça, parece que eles não aprenderam. Continuam achando que vão fazer de idiotas aqueles que apertam os botões na urna”.

O gesto, claro, ajuda o PHS. Dá um verniz de maior importância à legenda nas articulações da campanha ao governo de Minas. A sigla, em 2014, elegeu apenas um deputado estadual e um deputado federal. O prefeito de Betim, Vitório Medioli, recentemente trocou o PHS pelo Podemos.

Mas Kalil — ainda bem! — se porta com a grandeza e lealdade política e eleitoral esperada por aqueles que o elegeram. Desconversou logo na saída do evento: “Eu tenho vários defeitos e tento, todo dia, diminui-los. Mas tenho algumas qualidades, e uma é muito forte: eu quero falar que sou um homem de compromisso e de palavra”.

O prefeito da capital repetiu o que disse em uma entrevista ao jornal Estado de Minas, em março do ano passado. Do alto da sua boa avaliação como prefeito e gozando de grande popularidade, quando questionado se seria candidato ao governo de Minas, Kalil registrou: “Sou um homem de compromisso, sempre fui”.

Também avisou, na mesma entrevista, que os integrantes da sua equipe que quisessem fazer campanha para algum candidato teriam que deixar o cargo. “Secretário meu, para apoiar alguém politicamente vai ter que conversar comigo. Secretário meu é para a Prefeitura. Se eu escolhi técnicos é porque não é para ninguém perder tempo fazendo campanha enquanto estamos com a Prefeitura cheia de problemas”.

Embora não tenha negado de forma categórica, ninguém sério aposta em uma candidatura de Kalil, a qualquer cargo que for, antes do término do seu mandato.

Assim, Kalil se reafirma como a “grande novidade da política”, menção feita pelo tucano Xico Graziano, em janeiro, em sua coluna no site Poder em Foco.

Na política, comparações não são só inevitáveis, como necessárias. O prefeito da cidade de São Paulo, o tucano João Dória, assim como Kalil, foi eleito afastando-se da condição de “político”.  Ambos colocaram-se como “gestores” ao eleitorado.

Dória, entretanto, revelou-se logo no início do seu governo um político populista e com grande fome de poder. Sem ter concluído seu primeiro ano à frente da Prefeitura de São Paulo, Dória queria ser mais que prefeito. Talvez Presidente da República.  Dória passou a percorrer o país participando de eventos e a debater questões nacionais, constrangendo criando dificuldades ao seu padrinho, o governador Geraldo Alckmin, que era já era à época — e ainda é — o candidato tucano à Presidência da República.

Dória se perdeu entre a gestão da cidade e sua agenda de pré-candidato à Presidência da República. Os problemas passaram a aparecer, virou alvo da imprensa e tomou uma enquadrada no “ninho”. Por hora, Dória parece ter desistido da Presidência da República, mas continua não querendo mais ser prefeito: postula no PSDB a indicação de candidato ao governo do estado.

Por aqui, Kalil vai imprimindo sua marca e construindo a sua história, para então tentar — caso queira —  espaços ainda maiores para sua liderança.

 

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