Notícias

Joaquim Barbosa acerta filiação ao PSB

Por toda viabilidade apresentada e o firme apoio do presidente nacional da legenda, o PSB vem se pacificando em torno da candidatura de Barbosa.

Crédito Foto: :Nelson Jr. SCO/STF
 

O atual cenário eleitoral para a eleição presidencial sofrerá uma significativa mudança nos próximos dias. Depois de meses especulações e incertezas, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, acertou sua filiação ao PSB. A definição aconteceu em um encontro com o presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, na manhã dessa quinta-feira (29). O encontro aconteceu em uma padaria do Distrito Federal.

Acertaram a data da filiação, dia sete de abril — data limite para filiação de quem for disputar qualquer cargo eletivo nas eleições desse ano. Deixarão para o último dia para não disputar, no noticiário político, a filiação de Barbosa com o julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula, que será julgado pelo STF no dia 4 de abril.

O Poder em Foco apurou que Barbosa acertou com Siqueira que se filiaria sem que vista imediatamente o figurino de candidato. A definição ficaria para junho ou julho. Até lá, Barbosa frequentaria mais o dia a dia do partido, em reuniões com lideranças e em debates com as militâncias de diversos setores da legenda. Nesse ínterim, Barbosa também vai por o pé na estrada, percorrendo o país em vários encontros.

Na prática, é o tempo que Carlos Siqueira precisa para acertar a montagem dos palanques para as candidaturas estaduais da legenda.

Candidato, o ex-ministro do STF se torna o outsider que promete abalar o cenário eleitoral em 2018.

Não é para menos. Pesquisas e analises para consumo interno de partidos, sindicatos e outras associações, desenham perspectivas muito favoráveis para Barbosa. Na última sexta-feira, a colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, teve acesso a análises que mostram que ele seria o principal adversário do PT, “aparecendo com quase 10% dos votos em alguns cenários traçados para a legenda.

Outro levantamento, feito por uma central sindical, aponta que em um cenário sem a candidatura do ex-presidente Lula (PT), Barbosa aparece ameaçando a segunda colocação do deputado federal Jair Bolsonaro. Apareceria melhor até que candidatos apoiados por Lula.

Um cenário sem Marina Silva e o ex-presidente Lula, destaca outra análise, seria o melhor dos mundos para Joaquim Barbosa.

Como Carlos Siqueira sempre manteve um diálogo político e institucional com Marina e a Rede Sustentabilidade, um “burburinho” pode potencializar ainda mais a “eventual” candidatura de Barbosa: uma coligação entre o PSB e a Rede Sustentabilidade ao PSB.

Sem conseguir montar chapas que garantissem a reeleição dos deputados que já compunham a legenda e de atrair novos parlamentares (esperava-se grande corrente migratória vinda do PT, o que não aconteceu) a Rede perdeu dois parlamentares, o que tira a ex-ministra Marina Silva dos debates. Isso porque, pela regra aprovada na última reforma eleitoral, para ter participação garantida nos debates da TV, os partidos precisaram ter um mínimo de cindo deputados.

Se a Rede não conseguir atrair novos deputados até o termino da janela partidária (prazo para que deputados possam trocar de partidos sem risco de perda de mandato) a coligação com o PSB ganhará muita força dentro do partido. Marina vice de Barbosa? Pode ser. Candidata ao Senado? Também.

Por toda viabilidade apresentada e o firme apoio do presidente nacional da legenda, o PSB vem se pacificando em torno da candidatura de Barbosa.

Siqueira articulou a aprovação de uma resolução que resulta, na prática, em um veto ao apoio à candidatura do Geraldo Alckmin. Não foi um veto ao nome do tucano. A sigla aprovou uma resolução determinando que o PSB não apoiará candidato a presidente que defendesse as reformas da Previdência e Trabalhista, ou que propusesse a privatização da Eletrobras e da Petrobras. Nada mais “anti-tucano”.

Em reunião com a executiva estadual do PSB Minas, Siqueira comunicou aos presentes que nas próximas semanas concentraria esforços na filiação e candidatura de Joaquim Barbosa à Presidência da República pelo PSB. O aviso foi feito aos deputados estaduais e federais da legenda, entre outras lideranças.

As dificuldades que o vice-governador de São Paulo, Marcio França, apresentava a uma candidatura de Joaquim Barbosa, também estão mais arrefecidas. Ainda assim, França falou a Joaquim das suas dificuldades em seu palanque.

Vice de Geraldo Alckmin, pré-candidato à Presidência da República, França, na expectativa de atrair o apoio dos tucanos à sua candidatura ao governo do Estado, trabalhava para levar o apoio da sigla à candidatura tucana. França acreditou no apoio tucano até o último momento, embora até as estatuas do Palácio Bandeirantes sabiam que dificilmente o PSDB abriria mão de lançar um sucessor para apoiar candidato de outra legenda. Deu o já esperado: houve grande pressão da executiva do PSDB paulista, prévias, e o prefeito de São Paulo, João Dória, viabilizou-se como candidato tucano ao governo do Estado.

O ex-deputado Beto Albuquerque, que foi o vice de Marina Silva na última eleição presidencial, também colocou-se à disposição do partido para disputar a Presidência da República. O gesto, à época, tinha o intuito de colocar ainda mais insegurança na filiação de Joaquim Barbosa.

A posição de Albuquerque mudou. Agora, reforça a tese que ganhou força na legenda, de que uma vez filiado, Barbosa teria candidatura certa no PSB. Em resposta à Agência de Notícias Reuters Brasil, Beto falou da defesa que fez, no Congresso Nacional do PSB, de candidatura própria da legenda. “Obviamente que se ele [Joaquim Barbosa] se filiar não vou disputar. Ele tem meu apoio. Retiro minha postulação em 2018 para apoiar Joaquim Barbosa”, afirmou.

Barbosa, por sua vez, abandonou a letargia política que minava sua própria candidatura. Passou a realizar encontros com lideranças do PSB buscando apoio para o seu projeto eleitoral.

Em um ambiente eleitoral em que a população se encontra avessa aos ditos políticos tradicionais, um nome como de Joaquim Barbosa tem grandes chances. Ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, sua atuação no julgamento do mensalão é embrionária de um movimento que clama pelo de fim da impunidade no Brasil, que prossegue no apoio a Operação Lava Jato.

Bastaria, talvez, seguir a linha sugerida pela publicação do site O Antagonista: “se Joaquim Barbosa se dedicar a atacar seu desafeto Gilmar Mendes, ganha de lavada”.

Comentários

Comentários

Siga-nos no Twitter

© 2017 PODER EM FOCO | desenvolvido por maxwellpas