Notícias

Estudo aponta descrença dos brasileiros no presente, mas registra esperança no futuro

Políticos e partidos seguem com baixa confiança; igreja e militares gozam de maior prestígio com a população

 

A grande expectativa dos brasileiros nas próximas eleições presidenciais, a forte tendência de eleição de um nome novo na política e a pressa da população pelo fim do impasse político e da crise econômica são apenas alguns dos temas apontados pela pesquisa realizada pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da Fundação Getúlio Vargas, divulgada nessa segunda-feira (9).

É grande a esperança dos brasileiros com relação as próximas eleições como ponto de superação do “impasse advindo da extrema polarização que se instalou no país”. Mais do isso: os brasileiros esperam que essa superação seja rápida. Essa responsabilidade recairá com maior força nas costas do próximo presidente, “cuja avaliação de sucesso ou fracasso não será relativizada”. Também estará na “conta” do próximo presidente da República — que, espera-se, seja alguém novo na política ou com ficha “completamente limpa” — não somente a união do país, mas do sucesso dele também depende a crença na democracia, “em sua importância e eficacidade”.

O dado mais significativo e preocupante da pesquisa diz respeito a confiança da população na democracia. Quando questionados se concordavam ou não com a frase “No Brasil há uma democracia”, 42% dos entrevistados discordaram da afirmação; 20,7% ficaram neutros, 5,7% não souberam opinar e apenas 31,2% concordaram com a afirmação.

Previsivelmente, na esteira da desconfiança e do descontentamento, 83,2% dos entrevistados disseram que não confiam no presidente da República; outros 78,3% duvidam dos políticos eleitos de modo geral, e, com relação aos partidos políticos, 78,1% dos entrevistados também disseram não confiar.

Com isso, a pesquisa reforçou a descrença nas instituições representativas já apontadas por outros estudos. Também como apontando em outros levantamentos, a igreja (61,5%), os militares (45,8%) e os juízes (42,2%), são as figuras que gozam de maior prestígio com a população.

Economia

O otimismo e a avaliação da população com relação aos rumos da economia também foram avaliados pelo estudo. E, contrariando as expectativas do governo federal, não se registrou uma boa percepção da população com relação aos indicadores de melhoras divulgados, como a queda da taxa de desemprego apontada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) e os indícios de recuperação sistemática de setores como a indústria, o comércio e a agricultura.

Sobre o desemprego, por exemplo, 73,6% dos entrevistados acreditam que ele aumentou, 13,0 acham que ficou igual e 13,1% apontam que diminuiu.

Já a percepção da inflação na comparação com um ano atrás, exatos 63,9% dos entrevistados acreditam que ela aumentou, 27,3% avaliam que ela permanece igual e apenas 6,8% acreditam que ela diminuiu.

A evolução da taxa de juros também foi avaliada. Também comparando com um ano atrás, para 77,8% dos entrevistados a taxa de juros aumentou; 15,2% acreditam que ficou igual e 4,5% acham que diminuiu.

O papel do Estado

A pesquisa também apontou que a maioria dos brasileiros acredita que a participação do Estado é importante para o combate às desigualdades, mas recusa, entretanto, o aumento de impostos. “A manutenção da rede de proteção social do Estado é compartilhada pela maioria dos entrevistados. Segundo a pesquisa, 58,6% concordam totalmente ou parcialmente que programas como o Bolsa Família, por exemplo, são bons para o país porque ajudam a diminuir a desigualdade — 20,8% discordam da afirmativa”.

O estudo faz parte de uma série de análises desenvolvidas pela fundação e tem como missão aprimorar a gestão pública brasileira e qualificar o debate público na sociedade em rede, por meio da transparência e do diálogo entre o Estado e a cidadania. Para lê-lo na integra, clique aqui.

Comentários

Comentários

Siga-nos no Twitter

© 2017 PODER EM FOCO | desenvolvido por maxwellpas