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Anastasia desistirá da sua candidatura?

Lançar-se às eleições desse ano pode acabar ofuscando seu brilho gerencial e intelectual, e comprometer aquela que, dizem todos, é sua única ambição pessoal: ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.

Crédito Foto: GERDAN WESLEY/PSDB SENADO
 

O senador Antônio Anastasia não queria ser candidato ao governo do Estado. Reconheçamos. Agora, com a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal de Justiça (STF) de transformar em réu o senador Aécio Neves, por corrupção ativa e obstrução de justiça, Anastasia deve voltar atrás, mais uma vez, em sua decisão. Acabará optando por não ser candidato.

Anastasia sabe que se avizinham “chuvas e trovoadas”. Aécio se tornou réu em apenas um, dos nove inquéritos em que é investigado. Até as eleições, outras sessões como a de ontem podem embolá-lo ainda mais, e, por consequência, constranger ainda mais a candidatura de Anastasia.

O ex-governador Eduardo Azeredo é outro fator de constrangimento para o tucano. Ele pode ser preso na próxima semana, após finalização dos recursos à condenação em segunda instância do esquema de caixa 2 de campanha, que ficou conhecido como mensalão mineiro.

Anastasia aceitou “discutir” sua candidatura, cedendo aos pedidos do pré-candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin, seu padrinho político, Aécio Neves e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Sua candidatura não só daria a Alckmin um palanque forte em Minas, mas estancaria a debandada de deputados e ajudaria numa tentativa de reeleição de Aécio Neves aos Senado. Disso tudo, Anastasia só conseguiu reter no PSDB boa parte dos seus deputados.

Aécio, segundo alguns analistas, não só não se reelegeria ao Senado, como teria sérias dificuldades de se eleger para uma vaga na Câmara dos Deputados.

Alckmin permanece estacionado em intenções de votos a cada pesquisa que é feita e, recentemente, também está ameaçado por uma delação de Paulo Preto, tido como um operador tucano. Embaraço para Alckmin, mas também para Anastasia, que percorrerá o estado de Minas tendo de explicar o que talvez possa se revelar inexplicável.

O próprio Anastasia é investigado em um inquérito, por suspeita de ter recebido vantagens indevidas em forma de doações para as campanhas eleitorais de 2009 e 2010. Ele foi citado na delação dos executivos da Odebrecht. Segundo o delator Benedicto Barbosa, a Odebrecht teria doado R$ 1,8 milhões para a campanha de Anastasia a pedido de Aécio Neves. Vai que, assim como Aécio, ele vira réu dessa ação? Seria um petardo fatal à sua candidatura.

Anastasia é um dos homens públicos mais preparados do Brasil. Isso, até mesmo os seus mais ferrenhos opositores reconhecem — ainda que reservadamente.

Lançar-se nas eleições desse ano pode acabar ofuscando o seu brilho gerencial e intelectual, e comprometer aquela que seja sua única ambição pessoal: ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.

Política é momento, e esse não é de Anastasia e nem bom para ele. Recuar de sua candidatura o livrará de carregar “o caixão pesado” de Aécio Neves, nas palavras do ex-governador Newton Cardoso (MDB). Quando não, ser enterrado junto.

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