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Candidatura de Joaquim Barbosa pode turbinar palanques do PSB

Primeiro negro a ocupar um assento e presidir o Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa é quem melhor representa apoio a investigações de combate à corrupção aos moldes da Operação Lava Jato.

Crédito Foto: Gervásio Baptista | STF ASCOM
 

Em tempos de Operação Lava Jato, delações premiadas e grande desgastes dos dois principais partidos brasileiros, a candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, pode turbinar os palanques do PSB.

Primeiro negro a ocupar um assento e presidir o Supremo Tribunal Federal, Barbosa foi relator do processo do mensalão, que condenou 24 réus, entre banqueiros, empresários ex-ministros e ex-deputados — entre eles o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Por seu estilo direto e sem papas na língua, a candidatura de Barbosa é a que melhor representaria apoio a investigações de combate à corrupção aos moldes da Operação Lava Jato.

Parte considerável de analistas políticos e pesquisadores eleitorais avaliam que a ascensão do deputado federal Jair Bolsonaro se deve, em partes, à até então inexistência de um nome identificado com a lei e com à ordem. Barbosa passa a disputar essa fração do eleitorado de forma mais qualificada, moderada e com um histórico real de serviços prestados nessa direção.

Todo o clima que hoje mobiliza o país sinaliza que o combate à corrupção será um dos temas apreciado pelos eleitores na escolha dos seus candidatos, o que pode beneficiar a candidatura do ex-ministro do Supremo. É o que confirma levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

Feito no início do ano, o levantamento aponta que 47% dos brasileiros esperam que o combate à corrupção esteja na lista de principais prioridades do novo presidente do país.

Barbosa também é originário de uma das instituições que contam com grande prestígio social, o poder judiciário. Segundo a última Pesquisa de Confiança Social, realizada pelo Instituto IBOPE, a Justiça registra cerca de 44% da confiança da população, contra 26% do governo federal, 18% do Congresso Nacional, 17% dos partidos políticos e parcos 14% da Presidência da República.

Pela permanente exposição própria ao período eleitoral, candidatos que estiverem ao lado de Joaquim Barbosa podem se favorecer com a associação a sua imagem.

O pré-candidato do PSB ao governo de Minas, Márcio Lacerda, é um dos que mais se beneficiariam com a candidatura de Barbosa. Num passado não muito distante, Lacerda tinha em seu palanque o PSDB do senador Aécio Neves, e o PT do atual governador Fernando Pimentel. Ao lado do ex-ministro do Supremo, Lacerda se distanciaria de forma inquestionável dos seus antigos aliados. Mais que ao lado do pedetista Ciro Gomes, de quem Lacerda é amigo pessoal.

Também interessaria ao vice-governador de São Paulo, Márcio França, caminhar ao lado de Joaquim Barbosa. Com o fantasma de Paulo Preto rondando o PSDB, tudo pode acontecer a já frágil candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência da República.

Recentemente foi revelado que Paulo Preto, que é apontado como um operador tucano, teria R$ 113 milhões em uma conta na Suíça. França não terá o apoio dos tucanos e enfrentará o prefeito de São Paulo, João Dória, na disputa pelo Palácio Bandeirantes.

É difícil calcular qual o impacto negativo de uma hesitação e dubiedade de França num apoio a Geraldo Alckmin, cujo partido terá candidato. Para França, o melhor caminho seria anular riscos e aparecer ao lado de Barbosa em seu Estado, cujo eleitorado, em alguns cenários, tende a votar mais em Jair Bolsonaro que no candidato tucano.

Barbosa vai se filiar a sigla na próxima sexta-feira (6).

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