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Anastasia será candidato?

Dois gestos foram interpretados como sinalização de que Anastasia começa a se movimentar como possível candidato ao governo do estado.

Crédito Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
 

Um grupo cada vez menor que ainda gravita em torno do PSDB Minas sonha em ter o senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) como candidato ao governo do estado de Minas Gerais. Desse grupo, ele é quem melhor aparece nas pesquisas e coloca em risco real a permanência do governador Fernando Pimentel (PT) à frente do Palácio da Liberdade. Alguns tucanos dizem abertamente que se o candidato não for o Anastasia, “vão tomar outra”.

Dois gestos foram interpretados como sinalização de que Anastasia começa a se movimentar como possível candidato ao governo do estado.  O primeiro, foi o de admitir a possibilidade de ser candidato ao governo do Estado. A probabilidade foi reconhecida em Brasília a lideranças como o deputado federal Paulo Abi-ackel (PSDB-MG).

O segundo, foi uma reunião realizada entre Anastasia e os 15 prefeitos tucanos das maiores cidades do estado. O site Poder em Foco apurou que a reunião teria sido articulada pelo próprio senador Antônio Anastasia.

Oficialmente, porém, Anastasia segue negando a “empreitada”. Não é a primeira vez que uma candidatura sua “salvaria” outros projetos tucanos. Em 2016, por exemplo, também sofreu pressão para candidatar-se à Prefeitura de Belo Horizonte. Sua candidatura, cuja vitória parecia garantida, representaria mais força para o senador Aécio Neves (PSDB-MG), em sua disputa com o governador Geraldo Alckmin, pela indicação do nome tucano à Presidência da República em 2018. Prevaleceu a vontade pessoal de Anastasia de permanecer em seu mandato de senador.

O desfecho da história é conhecido: o candidato tucano na disputa pelo comando da capital, o deputado estadual João Leite, perdeu para o ex-cartola do time do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil (PHS). Não foi o revés de João Leite, sejamos justos, que esvaziou Aécio Neves no PSDB.

Pela condição de preferido e de mais viável, Anastasia vem sofrendo pressão de todos os lados para que entre na disputa. Pressão da executiva nacional do PSDB, já que ele teria condições de montar um palanque forte no segundo maior colégio eleitoral do país, o que também atenderia à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB-SP) — que é até então o candidato tucano à Presidência da República. Pressão também dos tucanos mineiros, que têm em seu nome as melhores chances da legenda voltar ao comando do estado.

A candidatura de Anastasia já teria até um vice. Circula nos bastidores da política mineira que o seu companheiro de chapa seria o deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB-MG).

Os últimos movimentos de Pacheco até corroboram a tese. Presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Pacheco adotou posturas diferentes frente as denúncias apresentadas pela Procuradoria-geral da república contra o presidente Michel Temer.

A primeira foi mais independente. Nomeou como relator o deputado federal Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), que recomendou o pedido de abertura de investigação contra Michel Temer.

Já sua atuação à frente da CCJ na votação da segunda denúncia contra Temer foi bem alinhada com o tucanato mineiro. A começar pela nomeação do deputado federal Bonifácio Andrade, tucano mineiro muito próximo ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) — fiel da balança na articulação que salvou Temer.

O desafio de Pacheco é viabilizar-se dentro do seu próprio partido, ou encontrar em tempo hábil uma legenda que lhe acolha.

É aguardar para ver se Anastasia cumprirá tão espinhosa tarefa para seu partido, tendo em vista que a polarização PT e PSDB, em Minas, projeta uma campanha totalmente agressiva de ambas as partes.

Esse cenário é o que, segundo pessoas próximas, deixa Anastasia mais resistente ao projeto.

 

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