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Aécio Neves provoca crise e pode gerar debandada de deputados do PSDB

 

O PSDB mineiro está em crise, o que pode causar uma debandada de deputados estaduais e federais da legenda durante a janela partidária, que vai até o dia 7/4. As informações de bastidores, confirmadas por reportagens dos jornais O Tempo e Hoje em Dia desta semana, dão conta que mais da metade das bancadas estaduais e federais podem abandonar o partido e migrarem para novas siglas.

Dois são os principais motivos das ameaças de saída: o desgaste da imagem do senador Aécio Neves, que insiste na sua candidatura à reeleição no Senado, e a falta de uma liderança forte do partido em Minas, capaz de unir aliados e pleitear o governo de estado. Lideranças tucanas ouvidas pelos jornais garantem que apenas um movimento seria capaz de segurar os deputados na legenda: o senador Antonio Anastasia aceitar ser candidato a governador nas eleições de outubro. Porém, Anastasia já disse por diversas vezes, incluindo até uma reunião com o presidenciável Geraldo Alckmin, que não está disposto a participar das eleições de 2018 como candidato, mas sim apenas como apoiador.

Segundo reportagem do jornal O Tempo, “No meio político comenta-se que, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), cinco dos oito deputados estaduais podem deixar o ninho tucano. Na Câmara dos Deputados, o PSDB perderia quatro dos sete nomes”. Entre os deputados estaduais que estão de saída do partido, estão Dalmo Ribeiro, Luiz Humberto Carneiro, João Vitor Xavier, Gustavo Valadares e Tito Torres, o último já de malas prontas para o PTB. Dalmo e Carneiro iriam caminhar com Dinis Pìnheiro, e Valadares e Xavier ainda não definiram as novas caminhadas.

Já entre os deputados federais, “Bonifácio de Andrada, se “aposentaria”. Caio Narcio, Eduardo Barbosa e Rodrigo de Castro estariam de saída. O primeiro por “sobrevivência”, para conseguir viabilizar sua reeleição. O segundo aproveitaria a janela por conta da insatisfação com as lideranças e os rumos da sigla”, disse O Tempo. A reportagem de Poder em Foco apurou que Rodrigo de Castro pode estar de malas prontas para o DEM.

Aécio Deputado?

A solução para a “salvação” do PSDB em Minas Gerais pode ser a candidatura de Aécio Neves a deputado federal. Além de poder ser um “puxador de voto” na chapa proporcional, os seus correligionários poderiam “desgrudar” suas campanhas da do senador. Isso sem falar de facilitar a composição com os partidos aliados em MG. “Temos dificuldades em compor com os pré-candidatos ao governo de Minas. Nenhum deles quer Aécio na chapa como candidato ao Senado. Rodrigo Pacheco e Marcio Lacerda não querem e Dinis Pinheiro, apesar de não falar publicamente, já deixou transparecer que também não quer. E como fica a chapa proporcional? Seria mais fácil se ele saísse para deputado”, afirmou um tucano, sob a condição de anonimato, à colunista Amália Goulart, do Jornal Hoje em Dia.

A possível candidatura de Aécio Neves à Câmara Federal, até aqui refutada de forma veemente pelo senador, é vista no ninho tucano como a salvação do partido. “os candidatos a uma vaga na Assembleia ou na Câmara precisam de um candidato a governador para lhes garantir o voto de legenda, a visibilidade e capilaridade. É muito mais fácil para um partido com um bom candidato a governador eleger mais deputados”, reforçou Amália Goulart.

Uma liderança tucana, ouvido sob condição de anonimato pela reportagem de Poder em Foco, traçou a estratégia dos deputados estaduais e federais do partido. “Já que o Anastasia não aceita ser candidato de jeito nenhum, precisamos definir apoio a Márcio Lacerda ou Rodrigo Pacheco, exigindo uma coligação nas chapas proporcionais, tanto para a ALMG quanto para a Câmara dos Deputados. Só assim nosso partido consegue, no mínimo, manter as cadeiras que hoje ocupa em ambos os parlamentos”.

Porém, até uma eventual saída de Aécio Neves do PSDB, ou mesmo uma “temporada sabática” do senador não é descartada. “Seria melhor se ele saísse do partido. Assim, livraria todo mundo desse constrangimento. Ele conseguiu destruir o clima na legenda. E, por isso, ninguém quer coligar com a gente, e nenhum nome, como o senador Antonio Anastasia (PSDB), aceita disputar o governo. Ninguém quer carregar a culpa dele”, admitiu um deputado ao jornal O Tempo. “Ninguém quer aparecer ao lado de Aécio. A maioria dos eventos no interior em que ele está presente está fraquíssima. Para o bem do partido, Aécio deveria ficar quatro anos afastado, cuidando dos seus problemas pessoais”, contou um interlocutor ao mesmo jornal diário.

 

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